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05/06/2026

QUE FAZER COM ESTE FORUM?

 

No momento em que parece que os "espíritos negativos" adormeceram e a esperança parece vingar, deixo um texto escrito em 2018, pelo Professor Jorge Alarcão, e remetido a quem de direito. Nunca obteve resposta! nem reação. 

Talvez estes espíritos sejam agora mais amigos da sua cidade.

QUE FAZER COM ESTE FORUM?  

A área é considerável e põe problemas que não são fáceis de resolver. São cerca de 2000 metros quadrados no coração da cidade de Beja. É parte do fórum, ou seja, do antigo coração cívico da cidade, o local de encontro dos cidadãos. São 2000 anos de História, sobrepostos e cruzados, como se de um “mikado” se tratasse. Os trabalhos arrancaram em 1997. Esperava eu, e acompanhei o processo desde o início,que Beja conseguisse vencer os espíritos negativos que, há muito, acompanham a arqueologia na cidade. Não será demais recordar que Abel Viana, a grande figura da arqueologia da região no século XX, nunca conseguiu realizar uma campanha arqueológica sistemática em Beja. E que o sítio do Sembrano passou por um longo e muito tormentoso processo para ficar resolvido com a atual solução.

No momento em que as escavações arrancam, Maria da Conceição Lopes está muito perto do final da sua tese de doutoramento. A qual partia de Beja, para se lançar numa interpretação do território, que continua hoje a ser a grande referência para a leitura da região nas épocas romana e pós-romana. Com relativa surpresa, constatou que o coração da velha Pax Iulia estava melhor preservado do que os esquiços feitos por Abel Viana na década de 40 deixavam antever. A arqueóloga acabou por escavar dois templos. Ou seja, a construção do depósito de água não viera destruí-los, situando-se antes numa zona limítrofe. À complexidade dos vestígios romanos, da Antiguidade Tardia, do período islâmico, veio juntar-se a raridade de uma casa da moeda, que a cidade albergou no final da Idade Média. A cidade conheceu, ao longo de pouco mais de 20 anos, cinco presidentes de câmara. A escavação foi avançando, não sem sobressaltos. Nos últimos tempos avançou um projeto de reabilitação do sítio. O processo entra num impasse e surgem, na imprensa, referências a um “templo” transformado em campo de papoilas. Começa a polémica e surgem números e mais números. Quanto se gastou em projetos, quanto custaram as escavações, quem fez e quem deixou de fazer. Torna-se aflitivo ver como as coisas se repetem e como os espíritos negativos voltam a pairar sobre a arqueologia da cidade.

O conflito de pouco nos serve… Sem entrar na polémica em torno do projeto de arquitetura e do futuro das estruturas arqueológicas, gostaria de deixar aqui alguns tópicos para reflexão:

 1. A leitura de espaços como o dos templos de Beja só consegue ser feito através da sua “verticalização”. Muitos teatros romanos, muitos arcos do triunfo foram refeitos e reerguidos. O processo é conhecido pelo nome de anastilose, um “palavrão” que se refere à (re)construção a partir de elementos previamente existentes.

2. Não me parece disparatado que, nesse processo, se incorporem no forum elementos arquitetónicos de grandes dimensões – designadamente, capitéis – que hoje se encontram na galeria do Museu Regional.

3. Ou seja, que estabeleça uma ligação próxima entre estes vestígios, absolutamente notáveis, o Museu, que dispõe também de outros materiais de grande qualidade, o sítio arqueológico de Pisões e o núcleo da Rua do Sembrano.

4. É crucial criar condições para que as escavações arqueológicas se concluam, prevendo-se um programa de edições destinado a uma ampla divulgação dos resultados e das conclusões a que se chegou. Incluo aqui a Casa da Moeda, peça crucial no processo de investigação que Maria da Conceição Lopes tem em curso.

5. Não creio que seja possível pôr em funcionamento todo este complexo de sítios – por vezes a razoável distância, como Pisões –, com o habitual e rígido programa: cada sítio com o seu núcleo de exposições, com horário fixo e quadro de pessoal próprio. Ou há um plano em rede, com partilha de recursos, e com intervenções concretas e realistas ou daqui a 10 anos estaremos na mesma. Ou pior, discutindo a privatização ou a alienação de sítios.

A tomada de decisões sobre o património, na perspetiva da sua reabilitação, nem sempre é “simpática”. Nem imediata. É mais fácil “feirizar” a História, criar

“eventos” e complementá-los com iniciativas folclóricas. Dá muito menos trabalho e rende mais, no curto prazo. Ora, como bem sabemos, e tendo em conta o que nos resta do fórum, o Património é matéria para o longo prazo.

Jorge Alarcão

03/05/2026

FLORALIA

As Floralia eram festividades religiosas da Roma antiga dedicadas à deusa Flora, que se realizavam anualmente entre os dias 28 de abril e 3 de maio. Estas celebrações ocupavam um lugar importante no calendário romano, refletindo a forte ligação entre religião, agricultura e vida social. Estavam associadas à floração das plantas, à fertilidade e à renovação da natureza, coincidindo com um período crucial da primavera, quando as plantas floresciam e se definia o sucesso das colheitas.

Esta transição entre o final de abril e o início de maio é evocada por Ovídio, que nos Fasti associa a Floralia a este momento de passagem e renovação:


Começas em abril e atravessas para o tempo de maio
Um possui-te quando partes, outro quando chegas
Como os limites destes meses te pertencem e te prestam deferência
A qualquer deles convêm os teus louvores.
O Circo prossegue e o teatro recebe a palma celebrada,
Que também este canto se junte ao espetáculo do Circo
.
(Fasti, V.185–190)


 A sua origem remonta a 238 a.C., quando, segundo as fontes antigas, foi construído um templo em honra de Flora por recomendação dos Livros Sibilinos. A instituição do festival visava garantir a proteção divina sobre a floração das culturas, sendo posteriormente retomado em 173 a.C., após fenómenos climáticos adversos que afetaram as colheitas.

O festival incluía um conjunto de celebrações conhecidas como ludi Florales, compostas por jogos públicos, espetáculos teatrais, mimos e farsas. Estas representações distinguiam-se pelo seu carácter leve e, muitas vezes, licencioso, contrastando com a formalidade de outras festividades romanas. Durante as Floralia, era comum o uso de roupas coloridas e adornos florais, em oposição ao vestuário branco habitual nas cerimónias religiosas. Algumas celebrações decorriam também durante a noite, reforçando o ambiente festivo.

Entre os rituais mais marcantes destacava-se a libertação de animais, como lebres e cervos, no Circus Maximus, símbolos de fertilidade. Além disso, eram distribuídos alimentos ao povo, como grão-de-bico, igualmente associado à abundância. A participação era ampla, envolvendo sobretudo a plebe, atores e prostitutas, que tinham um papel visível nas celebrações, chegando a dançar nuas em certos espetáculos. Esta dimensão mais livre e provocadora levou a críticas por parte de figuras conservadoras, como Catão o Jovem, e mais tarde por autores cristãos, como Lactâncio e Agostinho de Hipona, que condenaram o caráter licencioso da festividade.

Apesar dessas críticas, as Floralia desempenhavam funções essenciais na sociedade romana. Do ponto de vista agrícola, procuravam assegurar a fertilidade da terra e evitar crises alimentares. Religiosamente, integravam o calendário oficial e visavam apaziguar as divindades. Socialmente, proporcionavam momentos de lazer e participação popular, permitindo uma suspensão temporária das normas mais rígidas. Politicamente, eram organizadas por magistrados e contribuíam para reforçar a relação entre o poder e o povo.

09/03/2026

Mulheres de Roma


De 11 de novembro de 2021 a 8 de março de 2022, o Musée de la Romanité, em Nîmes, acolheu uma exposição intitulada «Retratos e segredos das mulheres romanas. Imperatrizes, “matronas” e libertas» (Portraits et secrets de femmes romaines. Impératrices, ‘matrones’ et affranchies).

Para responder a questões como quem são essas mulheres, qual é o seu estatuto e como redefinem o seu papel no espaço público, a exposição mobilizou 35 peças provenientes de várias instituições. Através delas procurava-se apresentar mulheres romanas dos dois primeiros séculos do Império descritas como “poderosas, determinadas, controversas, independentes, rebeldes e muito mais”.

retrato de Sabina, 130 d.C
@Museu do Prado
O percurso começava com a apresentação do modelo idealizado representado pela matrona, a norma de referência a que todas as mulheres romanas deveriam aspirar.

Desde o início da República, no século V a.C., este modelo define a mulher ideal em Roma: esposa respeitável e mãe de família, responsável pela administração da casa e pela educação dos filhos, mas sem visibilidade política ou papel público. A mulher era vista acima de tudo como esposa e mãe, encarregada de dar à luz filhos legítimos e assegurar a continuidade da família e do corpo cívico.

Ao contrário dos rapazes, que recebiam uma educação mais avançada, as jovens eram formadas sobretudo para as tarefas domésticas e para a transmissão dos valores morais e familiares tradicionais. Tal como em muitas outras cidades do Império, também em Nîmes as mulheres se dedicavam principalmente à gestão do lar. Entre as elites, procurava-se corresponder ao ideal da matrona, símbolo de virtude e fidelidade. A estátua de Antónia Menor, princesa da dinastia júlio-claudiana, exposta no museu, ilustra bem esse arquétipo.

De acordo com o direito romano, as mulheres nasciam sob a tutela do pai. Uma vez casadas, o seu estatuto podia variar: podiam permanecer sob a tutela paterna ou passar para a do marido, dependendo do regime matrimonial escolhido. Em qualquer dos casos, não possuíam autonomia jurídica plena.

O casamento era também um elemento central na formação de alianças familiares, nas quais a futura esposa podia desempenhar um papel importante. Uma jovem proveniente de uma família influente podia contribuir para a carreira política ou social do marido.

Embora o estatuto jurídico das mulheres tenha evoluído pouco, no final da República, no século I a.C., algumas mulheres da elite beneficiavam de uma educação refinada e de património próprio, o que lhes podia dar alguma margem de ação, ainda que continuassem afastadas da vida política formal.

Durante o reinado do imperador Augusto (27 a.C.–14 d.C.), foram introduzidas algumas medidas com o objetivo de incentivar a natalidade. As mulheres da nobreza que tivessem três filhos podiam libertar-se da tutela legal; as libertas alcançavam esse estatuto após o quarto filho e as escravas após o quinto.

Ao mesmo tempo, Augusto utilizou as mulheres da sua própria família como parte da propaganda na legitimação simbólica do novo regime imperial. Pediu-lhes que encarnassem o modelo da matrona, mas concedeu-lhes também maior visibilidade pública. As mulheres da família imperial podiam receber o título de Augusta em vida e, após a morte, o de Diva. Esse modelo feminino era difundido através das representações oficiais da Domus Augusta, nomeadamente na estatuária, na epigrafia e nas moedas, tornando-se um referencial para mulheres de diferentes grupos sociais.

A exposição mostrava também que a realidade feminina romana era mais complexa do que este modelo idealizado. 

Sabemos relativamente pouco sobre as atividades profissionais femininas, sobretudo entre as mulheres de condição mais modesta. No quotidiano, muitas estavam ligadas ao espaço doméstico, onde o trabalho da tecelagem ocupava um lugar central, como demonstram relevos e instrumentos têxteis encontrados em contextos arqueológicos.

Algumas mulheres eram parteiras; outras exerceram profissões médicas, como médicas, dentistas ou cirurgiãs. Existiam também amas e governantas, frequentemente libertas ou antigas escravas. As escravas trabalhavam como empregadas domésticas ou em atividades agrícolas. Outras mulheres participavam nas atividades artesanais ou comerciais da família, e algumas são mencionadas nas fontes pelo seu sentido de negócios.  Por vezes, as mulheres surgem onde menos se esperaria encontrá-las: em profissões intelectuais, no artesanato e no comércio, na gestão de negócios ou mesmo como banqueiras. E mesmo quando aparecem nos papéis mais esperados — servas, amas ou ofícios ligados aos cuidados do corpo — continuam a surpreender. Entre as atividades femininas encontrava-se também a prostituição.

A exposição não pretendia abranger todas as experiências femininas conhecidas no mundo romano. Por exemplo, não aborda casos mais raros, como o das gladiadoras, cuja existência é hoje comprovada por algumas fontes arqueológicas e epigráficas.

No século II d.C., algumas evoluções jurídicas tornaram-se mais visíveis: as mulheres podiam redigir o seu próprio testamento, tornar-se herdeiras, divorciar-se e voltar a casar, embora o adultério implicasse sanções como a perda de parte da herança. É também importante lembrar que o estatuto das mulheres não era idêntico em todo o Império Romano, podendo variar entre a Itália e as diferentes províncias.

O estatuto das mulheres romanas revela-se, assim, complexo e variável. Embora durante muito tempo tenham vivido sob tutela masculina e dentro de um modelo social muito definido, os testemunhos arqueológicos e epigráficos mostram uma realidade mais diversa.

A tradição romana apresenta uma imagem feminina ideal que pouco muda ao longo do tempo, porém, a partir do final da República, a evolução dos costumes, o acesso à herança e a uma educação muitas vezes elevada modificam a posição social de algumas mulheres. .

A exposição, e as conferências que a acompanharam, mostraram claramente que a realidade das mulheres romanas foi, afinal, mais diversa do que o modelo ideal deixava supor. 

27/02/2025

"Não abandonemos a arqueologia, como os nossos antecessores a abandonaram ao fascismo e ao nazismo", nem a Gaza Trump

Em Portugal, a Arqueologia já algum tempo que sucumbiu a "uma lógica de mercado a que se deve submeter em nome dos imperativos da “gestão do património arqueológico”.

O mundo, tal como o conhecemos actualmente, exige redobrada atenção às questões do Património. Olhando o vídeo “Trump Gaza” que o senhor Trump nos enviou para casa, faz sentido ler e trazer de novo para os materiais de debate obrigatório e reflexão nas Universidades, entre outros, os textos de Laurent Olivier, Notre passé n’est pas à vendre Nuestro pasado no está en venta, Complutum, 2013, Vol. 24 (1): 29-39 e How I learned the Low of the Marketin Aparício P. (ed.) (2016): Archaeology and Neoliberalism. JAS Arqueología Editorial, Madrid:223-238.

No resumo do texto de 2013, Laurente Olivier escreve:

"A própria razão de ser da arqueologia está agora a ser brutalmente atacada, sob a pressão de uma lógica de mercado a que se deve submeter em nome dos imperativos da “gestão do património arqueológico”. Esta submissão tem a sua forma mais visível na ascensão da chamada arqueologia “preventiva”, mas afecta também, de forma não menos violenta, o funcionamento dos museus e a investigação institucional. No interior da própria disciplina, esta subjugação da arqueologia reflecte-se no desenvolvimento de um verdadeiro processo de proletarização da investigação. No plano externo, a “mercantilização” da arqueologia está a desfazer o elo político que une o estudo e a preservação dos vestígios do passado à comunidade de cidadãos que os herdaram. Desta forma, a submissão à norma económica produz uma dupla exclusão: exclui os arqueólogos da sua própria disciplina, tal como exclui os cidadãos dos seus próprios assuntos - a coisa pública, a res publica. Por toda a Europa, faz-se a mesma constatação: uma nova classe de tecnocratas está a tomar o poder sobre os investigadores e os criadores. Está a desmantelar os domínios de que se apoderou, transformando-os em meras actividades de produção económica, agora desprovidas de qualquer significado. Não podemos, em boa consciência, abandonar a gestão da nossa disciplina. Não abandonemos a arqueologia, como os nossos antecessores a abandonaram ao fascismo e ao nazismo."

Três anos passados, no texto 2016, Laurent Olivier anota o percurso que se fez:

"A concorrência fez explodir o trabalho de elaboração de dados arqueológicos. Escavávamos um fragmento de sítio aqui, mas o outro fragmento está a ser escavado ali pela concorrência. Não saberemos, portanto, nada, ou saberemos muito pouco. No entanto, o conhecimento arqueológico é construído através da paciente acumulação de observações, operação após operação, ano após ano. De que serve agora o trabalho de campo, se já não é isso? Não é surpreendente notar, nestas condições, que a arqueologia preventiva se tornou um dos sectores de actividade onde as perturbações psico-ocupacionais - como se costuma dizer - assumiram uma importância preocupante. E depois há a questão dos arquivos da escavação, que já não estão centralizados em lado nenhum e que correm o risco de acabar no caixote do lixo quando um operador privado vai à falência ou abandona a sua actividade.

(...) A arqueologia tornou-se não só o auxiliar dos empreendedores (entidade contratante), a sua vanguarda de certa forma, mas também e, sobretudo, instrumento da Lei do mercado. O seu capital de simpatia, que era imenso na opinião pública, foi grandemente desvalorizado: a arqueologia inspira agora desconfiança, ou mesmo desinteresse. Isto não é surpreendente; nas suas actuais condições de funcionamento, a arqueologia foi despojada do seu papel social. Já não liga às pessoas restaurando-lhes um património comum, uma riqueza frágil pertencente a todos; ela contribui, ao contrário, para espoliámos dessa memória dos lugares onde vivem e trabalham.

Isto não é o que queríamos Não era isto que queríamos; não é isto que queremos.

A arqueologia não está à venda, porque não pode ser de qualquer forma um produto. É um património comum, disponível para a comunidade. E é em benefício de todos que devemos cuidar dele, precisamente porque este património arqueológico é um bem comum inalienável. A arqueologia não presta serviço e os arqueólogos não são agentes que trabalham para clientes. A arqueologia transmite o património arqueológico do passado às gerações futuras e os arqueólogos trabalham para a comunidade. Não faz sentido de outra forma."

Palestinos retornam a cenário devastado por Irael na faixa de Gaza, no domingo (19), após acordo de cessar-fogo - Omar Al-Qattaa/AFP






                    






Na Gaza do senhor Trump não há Arqueologia, mas há notas que caiem do céu. Mas, face ao que fazemos atualmente,"Escavávamos um fragmento de sítio aqui, mas o outro fragmento está a ser escavado ali pela concorrência. Não saberemos, portanto, nada, ou saberemos muito pouco”, pouco importa se há ou não há Arqueologia. E, todavia, deveria importar.

Para que se não eliminem os traços das Gaza deste mundo, ou que se não memorizem apenas por fragmentos sem nexo nem sentido, que se guardam em reservas que a todo o momento podem ser deitadas ao lixo, quando não são essas reservas já o próprio lixo, é urgente pensar se é isto que queremos da Arqueologia.

Porque é fácil deslumbrarmo-nos e, mais fácil ainda, AGILIZAR, como nos é proposto a partir das instituições que gerem o Património em Portugal.

13/08/2024

O original prevalecerá sempre sobre a cópia (plágio) I

Pouco frequente será, nos tempos próximos mais frequente.

Iniciamos aqui, independentemente dos canais legais (particularmente da IGAC), a denúncia, com exemplos, da apropriação abusiva e ilegal do nosso trabalho.
Traremos aqui exemplo práticos do crime de plágio e usurpação: O plágio é um crime, entendido como o acto de alguém apresentar como seu o trabalho de outra pessoa; é autor do crime de usurpação quem compilar obras sem autorização do autor.
 A publicação ou divulgação de uma obra ainda não divulgada, não publicada ou não destinada a publicação também é tratada como crime de usurpação. 
Também por questões de cidadania, não podemos deixar de divulgar o uso abusivo do nosso trabalho inédito, protegido por direitos de autor. Esse trabalho, constante nos relatórios que obrigatoriamente têm que ser enviados à tutela está protegido por lei e não pode ser usada
.sem autorização expressa dos autores.  

Um exemplo:
A planta aqui apresentada corresponde a uma fase de trabalho arqueológico, no ano de 2015.
Esta Planta, reproduz, à escala1:20, as realidades de terreno observadas no sítio arqueológico Beja - Templo Romano - Conservatório Regional de Música do Baixo Alentejo - Praça da República e Rua da Moeda, CNS 12172, nesse tempo.
Ela é totalmente realizada pelo Dr. José Luís Madeira para o projecto Arqueologia das Cidades de Beja.



























Como se verifica na imagem seguinte, a planta foi recortada, e assim 
abastardada passou a ser utilizada como se fosse propriedade da empresa NovaArqueologia.  Omitiram os créditos, e até a legenda de apagou! E, depois , em fragmentos, foi usada, também: Sempre no quadro de benefícios comerciais.



















20/03/2024

01/10/2023

“Uso a palavra para compor meus silêncios.”

 En una época de engaño universal decir la verdad es un acto revolucionario” Ian Angus 


uma vez que à data não nos encontrávamos em trabalho de gabinete como não se perspectivava o início e/ou reinício de qualquer intervenção arqueológica de que somos responsáveis, resolvemos anuir ao desafio que nos foi colocado" Filipe J. Santos, in 
Plano de Trabalhos Arqueológicos Acompanhamento Arqueológico Projecto de Valorização do Espaço do Fórum (o acento é do autor) Romano de Beja [Beja], Abril de 2023, p.7

Para refletir sobre a frase supra inscrita roubei o verso “Uso a palavra para compor meus silêncios.” ao poeta Manuel de Barros, do poema O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS, porque o jeito que tenho para as palavra é redondo e faria com que elas, rebolando, se atrapalhassem a se esquecessem do senso de responsabilidade cívica e da militância que lhes dá forma e vida.

Turvam-se os olhos a enxergar os campos da Novarqueologia; porque queria ler neste programa de trabalhos oferta de ampliação de conhecimento e empenho, mas apenas alcanço banquete de miséria humana.
Enquanto não abro os livros das coisas firmadas, continuo a recorrer a Manuel de Barros:                                                                                                                 
                                                                                                                            Importâncias: 


"Um fotógrafo-artista me disse outra vez: veja que pingo de sol no couro de um lagarto é para nós mais importante do que o sol inteiro no corpo do mar. Falou mais: que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem com barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós. Assim um passarinho nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que a Cordilheira dos Andes. Que um osso é mais importante para o cachorro do que uma pedra de diamante. E um dente de macaco da era terciária é mais importante para os arqueólogos do que a Torre Eifel. (Veja que só um dente de macaco!) Que uma boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que o Empire State Building."

 

E lendo o parecer que laudatoriamente a tutela redige, particularmente o ponto 21, toda a poesia se esmorece, porque nem dá espaço para apanhar desperdícios: O acompanhamento  a realizar pelo arqueólogo que subscreve O PATA Permitirá sim agilizar o processo de concretização de um projecto de valorização de um importante sítio arqueológico da cidade de Beja,(...) e vem criar uma infraestrutura museográfica-museológica importantíssima para a cidade e que, na nossa opinião, pode permitir a maximização do projecto arqueológico e a sua valorização.”  

 

Ficaríamos descansados se esta biscate fosse trazer mais valias de conhecimento técnico e científico; mas como é no intervalo de seus afazeres e para agilizar as dúvidas são legítimas.

 

A felicidade dos sábios surge de seus próprios atos livres.” Pensamentos de Marco Aurélio.